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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sacrifício

Bom senso e canja de galinha não fazem mal a ninguém! Né não?
Morrer por uma paixão impossível é prova banal de covardia. 
Os fracos quedam-se! Os fortes... seguem em frente!
Carlos Kurare

SEGUNDO ALTAR

Fabrício Carpinejar

Não tenho nenhuma compaixão por Romeu e Julieta.

Eles não experimentaram nenhuma crise de relacionamento antes do fim.

Nenhuma discussão no trânsito. Uma briguinha para quem iria se levantar para chavear a porta. Não reclamaram dos excessos, da bagunça do quarto ou por voltar tarde e não ser delicado entre amigos. Não provaram do veneno dos costumes, do terror de se entregar demais e perder a cabeça, ou do pudor de se entregar de menos e se afastar.

Conheceram o ímpeto do amor, não o amor.

Não descobriram a medida, o equilíbrio exato de dois corpos, que demora anos de convivência para aparecer.

Para mim, Romeu e Julieta continua sendo apenas um bom charuto.

Mas estrago meu rímel natural com casais que morrem juntos na velhice. Esfolo os joelhos do rosto. Sangro os lábios.

Depois de meio século de vida em comum, um não sobrevive à morte de sua companhia. Desistem. Perdem o sentido de respirar com o enterro da esposa ou do marido. Ficam emparedados pelo passado. A cozinha não terá saída; o quarto não terá lado; a sala não terá janela; a manhã não terá a companhia do café e da leiteira fervendo.

A casa que mais adorava em minha rua José Bonifácio terminou destruída. Residência antiga de dois andares, verde como um pinheiro no alto da montanha, desfrutando inclusive de água-furtada. É agora um poço de ruínas, paredes fatiadas, escombros e uma estranha mesinha para aves descansarem da fartura dos farelos. Não duvido que seja transformada em mais um estacionamento.

Meu filho passa pelo terreno minado com o olhar arrastado, antes recebia balas e brincadeiras de seus moradores Sady e Heidi, que cuidavam com capricho do jardim, dispondo anões e bichos de pedra pelas roseiras. Os dois viveram sessenta anos de casamento. Quando Heidi faleceu neste ano, Sady não durou cinco dias. Seu espírito altivo, lépido e incansável, de quem se acordava às 6h e saracoteava pela cidade, apagou-se repentinamente. A carne cedeu, o rosto murchou, ele adoeceu de ausência. Ambos cumpriram um pacto de vida mais do que de morte. Não admitiram a distância dos sete dias da missa - era muito longe. Não admitiram o aparte de uma semana - era muito tempo. Embarcaram no invisível de ombros dados. Heidi nem entrou no paraíso, esperou na porta seu marido, como se fosse um segundo altar.

O mesmo posso falar de Stella e Dorival Caymmi. Stela deixou a cena 11 dias após a despedida de Dorival. Foram casados durante 68 anos. Dorival morreu porque Stella baixou o hospital em estado grave. Stella morreu quando soube (pela intuição que só os pares de dança têm) que Dorival guardou sua voz no estojo. Um dependia do outro.

Não aceitaram a viuvez. A viuvez era também uma infidelidade. Uma traição ao casamento. Mostraram a Deus que não é ele que manda aqui, ajuda ou atrapalha, não manda. O livre-arbítrio é da lealdade. Escolher a hora de pôr a aliança, e escolher a hora de se pôr na aliança.
Fonte: http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/2008_08_01_archive.html
Dica da Luna - Brasília - DF


Marisa Monte & Cesária Évora - É Doce Morrer no Mar - Música de Dorival Caymmi


Ouça na voz maravilhosa do Caymmi: autor e intérprete desta beleza sem igual. No vídeo criador e criatura se encontram.
Saudades meu velho!
Kurare


Dorival Caymmi - É doce morrer no mar (1959)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Problemas? Quem não os tem?

Tudo é simples, mas nada é fácil

Carlos Kurare 

 

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

Mario Quintana

(Prosa e Verso, 1978)

Enfrentando problemas – Dr. Lair Ribeiro

"Sabe como transformar seus problemas em probleminhas? — Com reflexão.
Com quem aprender a refletir? — Com o seu mestre interno, que é você mesmo.
Lá dentro de você existe muito conhecimento. O suficiente para ensiná-lo como romper barreiras intelectuais e livrar-se das amarras que o “protegem” contra mudanças, impedindo-o de construir um futuro melhor para si mesmo.
Gratidão
Você é daquelas pessoas que, quando ouvem falar em gratidão, vão logo dizendo: “Eu lá vou agradecer por uma desgraça que aconteceu na minha vida?”
Se for, permita-me dizer-lhe que você está falando bobagem. Agradeça sim, não a desgraça, mas a experiência que ela traz para a sua vida.
As coisas acontecem porque têm de acontecer. Ou você tira proveito delas ou tira prejuízo. O que você prefere? De acontecimentos tristes e dolorosos, o benefício é a experiência, e o prejuízo, é a dor. Com qual você prefere ficar?
Perdão
O perdão libera mágoas, solta amarras e alivia pesos. Quando perdoa, você manda uma mensagem positiva para a sua mente. No momento em que perdoa, você se sente bem e manifesta apreço por si mesmo.
Costumo dizer que o perdão, antes de ser um ato de amor, é um ato de inteligência, que faz mais bem a você do que à pessoa que foi perdoada. Se você não conseguir perdoar com o coração, comece perdoando com o cérebro. O sentimento vem em seguida, esteja certo disso.

Culpa e ansiedade
Culpa é um sentimento do passado e ansiedade é um sentimento do futuro. É natural, pois ninguém sente culpa em relação a alguma coisa que ainda não fez, nem sente ansiedade por algo que já tenha ocorrido.
Para dissolver esses sentimentos que só prejudicam o seu desempenho, é muito simples: viaje com eles. Nossa mente tem o poder de viajar para qualquer lugar. Se você imagina que está em Paris, não há fronteiras nem demora para essa viagem mental. Numa fração de segundo, lá está você passeando junto à Torre Eiffel ou ao Arco do Triunfo. E a mente também viaja para o futuro, mas nem sempre você tem consciência disso.
O presente, o passado e o futuro
O problema da ansiedade é resolvido viajando-se para o futuro, e o da culpa, para o passado. Mas, em ambos os casos, você não saiu do presente, do aqui e agora. Isso significa que o presente criou o futuro, no caso do medo de viajar de avião, e recriou o passado, no caso da culpa pelo atropelamento.
Mas não é só para resolver problemas que podemos usar esse recurso especial. Você pode criar o futuro viajando com as suas qualidades.
Exercite-se
Digamos que você teve uma reunião com a diretoria da empresa onde trabalha e nela, por algum motivo, o seu desempenho foi insatisfatório. Isso deixou em você uma lembrança que até hoje o incomoda. Para dissolver essa lembrança negativa, pergunte-se: “De que recursos pessoais eu precisaria, naquele momento, para mudar o impacto emocional daquele fato na minha vida?”.
Relacione, pelo menos, três desses recursos. Depois, pense em situações da sua vida em que essas qualidades se manifestaram, projete-as na sua mente e congele a imagem, em cores. Em seguida, coloque-se, mentalmente, alguns minutos antes da traumática reunião e veja-se confiante e fortalecido. Então, entre na reunião e pergunte-se: “ Quem sou eu? Uma pessoa capaz de ter aquelas qualidades ou uma que, por um momento, falhou? “.
Naturalmente, você é uma pessoa capaz das qualidades necessárias para sair-se muito bem na reunião."


 por  |  25 de maio, 2012 
 

Hoje dei muita risada com a genialidade da letra desta música. 
Se você pensa que tem problemas, imagine-se em campo! 
Seus problemas passarão!
Ou passarinho!
?:o)

Futebol no Inferno - Caju e castanha

sábado, 9 de junho de 2012

Só uma chance...


Como me é impossível tocar a lua com meus dedos, toco-a com minhas palavras!
Carlos Kurare

Jacaré Banguela:

"Vou ser sincero.
É f*** quando você sente que está indo para um caminho que não é o que você gosta. Digo isso sobre as decisões da nossa vida. Quando nossos pais e amigos vão moldando a gente de uma maneira que a gente não quer, mas nós não somos capazes de “decepcionar” quem gosta da gente.
Tive sorte de passar pouco tempo nesse caminho. Logo que descobri e entendi o que eu queria, comecei a “decepcionar” muita gente que gosta de mim. Seja pelo meu humor nem sempre tão família ou pelas minhas decisões de sair de casa antes mesmo de terminar a faculdade (que depois eu voltei e terminei).
Eu eu digo isso porque sempre acreditei que eu podia não decepcionar as pessoas lá na frente. E o “lá na frente” é agora pra mim, onde a minha família e os meus amigos entendem o que eu queria quando comecei a escrever o meu tipo de humor e me mudar para onde eu achava melhor. O que você precisa pra fazer o mesmo é simplesmente ter certeza do caminho que quer seguir.
Às vezes você só precisa de UMA chance para mostrar que é bom, como este cara:
“Holly shit balls mom!”
A história do vídeo é a seguinte:
O jovem Sam tinha acabado de completar 15 anos e ele foi com sua mãe assistir ao show do cantor Michael Bublé. Em certo ponto do show, a mãe do Sam foi até a beirada do palco e disse ao Michael que o filho dela queria cantar. O restante do vídeo você entendeu, né?
Duas coisas me surpreenderam neste vídeo. O Sam cantando e PRINCIPALMENTE a célebre frase que o cantor diz quando chama o garoto no palco “Vem aqui um pouco, porque eu me lembro de ter a sua idade”.
Mais do que uma chance, o cantor mostrou (pelo menos ao meu ver) que ele sabe EXATAMENTE como é precisar de apenas uma chance para mostrar para sua família e seus amigos qual o caminho que você quer seguir e o que você pode fazer neste caminho.
Só uma chance… uma!"
Fonte: Jacaré Banguela

Michael Buble duets with 15 year old boy on 'This is Michael Buble' - HD


Watch 15 year old Sam get up on stage with Michael to sing 'Feeling Good' in this clip from Michael's ITV1 documentary 'This is Michael Buble'

terça-feira, 24 de abril de 2012

A delicadeza do gesto...


O Mendigo

Escrito por Dand
Acabava de sair do serviço. Um dia nublado, chuvoso, e o meu dia também. Ao chegar no ponto de ônibus, deparei-me com um mendigo e suas tralhas ocupando metade do espaço. A outra metade estavam as pessoas tentando se privar dos chuviscos. Me juntei a elas e comecei a observar o mendigo, que preparava seu almoço atrás do banco. Num fogo baixo fritava algumas linguiças e refogava uma panela cheia de arroz, cuidadosamente. Jogou o leite fora porque havia estragado. Na beirada do banco, um galão de agua posicionado horizontalmente, para que a água saísse verticalmente como numa torneira. Ali lavou 2 tomates e um pé de alface, folha por folha, minuciosamente. Pegou tais tomates e os cortou em cubículos, depois Juntou com as folhas de alface numa vasilha plástica limpa, pois havia lavado no galão-torneirinha, e temperou tudo com o vinagre que estava guardado numa caixa dentro do seu carrinho de tralhas. Neste momento, todos do ponto estavam olhando a cena.Cheirou duas sacolinhas plásticas ,fez uma careta e Jogou ambas fora na lixeira coletiva. O arroz ficou pronto e as lingüiças já estavam no ponto, literalmente.
Pegou de suas tralhas uma toalha branca e forrou o banco. Colocou alguns pedaços de papelão, e nestes, sobrepôs as penelas quentes para não sujar o pano. Tirou um garfo e uma faca de dentro de uma sacolinha, lavou, sentou de pernas cruzadas e começou a almoçar.
Neste momento, todos estavam de boca aberta, tamanha delicadeza cuidado e afeição do mendigo com seus objetos e com sua comida. Tratava-os com amor.
Observei ele almoçar, e também a admiração que ganhou das pessoas que estavam comigo no ponto.
Meu ônibus chegou!
Lição: Cuide de tudo que possui. E se julgar pouco, mesmo que seja, cuide com valor, cuide com amor.
By Dand *-*
fonte:  http://castellosdeareia.blogspot.com.br/2011/01/o-mendigo.html

E por falar em miúdos...

Trocando em miúdos - Maria Bethânia Composição Chico Buarque música Francis Hime

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Psiuuuuu....







Eu adoraria! 
Poder abrir agora, uma lata de silêncio e embriagar-me, 
só com meus mais puros pensamentos!
Carlos Kurare


Um pouco de silêncio
Lya Luft

"Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam conosco nem nos interessam.

Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço da sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.

O normal é ser atualizado, produtivo e bem informado. É indispensável circular, ser bem-relacionado. Quem não corre com a manada, praticamente nem existe. Se não tomar cuidado, põem-no numa jaula: um animal estranho.

Pressionados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou por trilhos determinados – como hamsters que se alimentam da sua própria agitação.

Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo ameaça quem apanha um susto de cada vez que examina a sua alma.

Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não «se arranjou» ninguém – como se a amizade ou o amor se «arranjasse» numa loja.

Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Pensamos logo em depressão: quem sabe terapia e antidepressivos? Uma criança que não brinca ou salta ou participa de atividades frenéticas está com algum problema.

O silêncio assusta-nos por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incomodas e mal-resolvidas, ou se observa outro ângulo de nós mesmos. Damo-nos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre a casa, o trabalho e o bar, a praia ou o campo.

Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo para além desse que paga contas, faz amor, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu? Quais os seus desejos e medos, os seus projetos e sonhos?

No susto que essa idéia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos a casa e ligamos a televisão antes de largarmos a carteira ou a pasta. Não é para assistirmos a um programa: é pela distração.

O silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de vermos quem – ou o que – somos, adiamos o confronto com a nossa alma sem máscaras.

Mas, se aprendermos a gostar um pouco de sossego, descobrimos – em nós e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente negativas.

Nunca esqueci a experiência de quando alguém me pôs a mão no meu ombro de criança e disse:

— Fica quietinha um momento só, escuta a chuva a chegar.

E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela nos refazemos para voltarmos mais inteiros ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.

Então, por favor, dêem-me isso: um pouco de silêncio bom, para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito para além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos".

Lya Luft
Pensar é transgredir
Lisboa, Presença, 2005
Texto adaptado



Silencio-Madredeus
2
O silêncio - sabedoria indígena norte-americana


Menina!!! Como você toca bem!!! 
Alguém sabe o nome dessa menina?

Andre Rieu - Toque de silêncio (IL SILENZIO)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ah! Mulheres...

As mulheres têm a magia ou talvez a graça divina de tornarem a vida masculina mais branda!
E como toda mulher tem alma de menina, eu grito:
Obrigado "Meninas! Por "darem a luz" à escuridão deste mundo masculino!
Carlos Kurare
Vale - 16/1/2012

Grandes e pequenas mulheres
Martha Medeiros

"Há mulheres de todos os gêneros. Histéricas, batalhadoras, frescas, profissionais, chatas, inteligentes, gostosas, parasitas, sensacionais. Mulheres de origens diversas, de idades várias, mulheres de posses ou de grana curta. Mulheres de tudo quanto é jeito. Mas se eu fosse homem prestaria atenção apenas num quesito: se a mulher é do tipo que puxa pra cima ou se é do tipo que empurra pra baixo.

Dizem que por trás de todo grande homem existe uma grande mulher. Meia-verdade. Ele pode ser grande estando sozinho também. Mas com uma mulher xarope ele não vai chegar a lugar algum.

Mulher que puxa pra cima é mulher que aposta nas decisões do cara, que não fica telefonando pro escritório toda hora, que tem a profissão dela, que o apóia quando ele diz que vai pedir demissão por questões éticas e que confia que vai dar tudo certo.

Mulher que empurra pra baixo é a que põe minhoca na cabeça dele sobre os seus colegas, a que tem acessos de carência bem na hora que ele tem que entrar numa reunião, a que não avaliza nenhuma mudança que ele propõe, a que quer manter tudo como está.

Mulher que puxa pra cima é a que dá uns toques na hora de ele se vestir, a que não perturba com questões menores, a que incentiva o marido a procurar os amigos, a que separa matérias de revista que possam interessá-lo, a que indica livros, a que faz amor com vontade.

Mulher que empurra pra baixo é a que reclama do salário dele, a que não acredita que ele tenha taco pra assumir uma promoção, a que acha que viajar é despesa e não investimento, a que tem ciúmes da secretária.

Mulher que puxa pra cima é a que dá conselhos e não palpite, a que acompanha nas festas e nas roubadas, a que tem bom humor.

Mulher que empurra pra baixo é a que debocha dos defeitos dele em rodinhas de amigos e que não acredita que ele vá mais longe do que já foi.

Se por trás de todo grande homem existe uma grande mulher, então vale o inverso também: por trás de um pequeno homem talvez exista uma mulher pequena."

Martha Medeiros

Obrigado pela dica do texto: Regina Liberato.


O vídeo abaixo está sublime!


Adriana Calcanhotto - Devolva-Me - (letra aqui)

A foto acima é do filme "E O VENTO LEVOU" (1939) - Gone with the wind
Um filme imperdível!
veja a  sinopse aqui

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

"Quando um não quer dois não brigam. Um bate e o outro apanha!"

AMOR: QUATRO LETRAS TOLAS 

Raul Arruda Filho
Não há nada mais complicado do que os relacionamentos amorosos. Na melhor das hipóteses, se assemelham ao caminhar na corda−bamba ou ficar preso na areia movediça. Ao menor descuido − catabum! − a catástrofe assume o centro do palco e se instala como se tivesse direitos vitalícios para bagunçar a vidinha mais ou menos de qualquer indivíduo mais ou menos que resolveu perder o sossego em alguma confusão mais ou menos.

Aquela história fofinha de que "quando um não quer dois não brigam" raramente se aproxima da verdade. Conversa pra boi dormir. Em qualquer deus-nos-acuda afetivo, alguém sempre está em pé de guerra. Borduna na mão. Disposto a destruir o outro sem piedade. Dá até para ouvir o som do crânio rachando. Isso se a vítima tiver sorte. Normalmente não tem.

Claro, a diversão proporcionada pela reconciliação vale qualquer sacrifício. Embora os rituais de conquista sejam exercícios de crueldade, ninguém foge da arapuca. Brincar com o passarinho na gaiola é diversão garantida. Inclusive porque ficar estressado pelo resto da vida nunca foi bom negócio. Preciosos instantes de tranqüilidade são alimentos essenciais para corações combalidos. Deixar – impunemente − a toalha molhada em cima da cama, por exemplo, constitui pequena compensação para o tumulto diário. É nesses momentos que a vida adquire algum sentido. Infelizmente, o preço da liberdade cobra juros e correção monetária. Por isso, enquanto o boleto, quinhentas salgadíssimas parcelas, não aterrissa debaixo da porta cabe aproveitar beijinhos, abraços e muito mais. Aliás, é por esse "muito mais" que o combate encontra suas mais importantes justificativas. Sem medir esforços. Ou tréguas. Cinco minutos (recorde mundial!) de sexo selvagem recarrega as baterias por algumas semanas. Verdade ou não, pouco importa. A canalhice masculina exige que esse assunto seja relatado (sem os detalhes íntimos, claro) em final de tarde, lá no boteco da esquina, entre cervejas e gargalhadas.

Como ninguém consegue conviver com a felicidade, a paz desaparece de forma delicada, deliciosa. Duelo ao final da tarde ou no meio da noite, quem é que consegue sacar a arma primeira? Pouco importa, é hora do quebra−pau. Literal. Nenhuma novidade. Elefante em loja de louças não brinca com origami. Uma palavra na hora errada, um gesto menos apaixonado, flores de plástico, uma adolescente que caminha pela calçada (vestindo um daqueles shortinhos que provavelmente causará o desalinhamento dos planetas). Qualquer coisa. Até coisa nenhuma. Que o estado natural dos relacionamentos é a guerra. Tiros trocados entre algozes não doem − muito. Velhos hematomas costumam ser substituídos por novas cicatrizes.

Motivos justos para agressão bélica, tiros de canhão, gritos ou esquecer-se de comprar o iogurte favorito da cara metade são causados por ataques de carência, chatice explícita, ciúme mórbido ou grude excessivo. É o horror, o horror. Não há tesão que resista a esse massacre. Exaurir o veio aurífero com dinamite.

Amor rima com flor e dor. Nos piores poemas. Não há dúvidas ou dívidas. É preciso força e determinação para disputar bola dividida. Diversão é aquilo na mão e a mão naquilo. Sem apertar ou arranhar, que golpe sujo não vale. Quer dizer, vale−tudo entre quatro paredes, desde que as paredes não caiam em cima do casal, espetáculo sem igual nas manchetes do jornal. Então, (de)compostos no ritmo sem ritmo das regras propostas pelo cio, cabe começar a arruaça. Nem que seja por pirraça. Bobo é quem deixa de perceber essas sutilezas da paixão. Da ilusão. Miragem e oásis fazem parte da paisagem. Melhor se houver bastante sacanagem.

E o estopim para gerar tanta energia sempre encontra abrigo na possibilidade de novo round. Para principiar incêndio basta isqueiro. Ou caixa de fósforos. Ao longe, como se fosse raio solar, o olhar fagueiro alimenta o fogaréu. O amor é isso, quatro letras tolas, prêmio de loteria ou música. Beijo, porrada e desejo. Chama e cama.



Eu te amo - Chico Buarque - Música de Tom Jobim e Chico Buarque

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Só eu sei... Os desertos que atravessei" Djavan

Redundância...
Eu não gosto da solidão porque ela tem o péssimo hábito de me deixar só “comigo mesmo” e só eu sei o quanto sou uma péssima companhia para mim!
:0)
Carlos Kurare
 Sampa- 2/12/2011

Esquinas - Live - Djavan - letra


O texto a seguir foi retirado do Blog do  Renato Rossbach

"Solidão...Cronica"

"Por que autoconhecimento é antídoto contra solidão...
Todos nós de alguma forma já nos sentimos sozinhos. Ainda que muitos se ocupem em excesso para sequer sentir a falta da companhia de alguém, mesmo quem diz não ter tempo para se sentir sozinho, que solidão é sinal de depressão, doença, coisa para quem não tem amigos, família, com certeza já se sentiu só em alguma fase da vida, em alguma situação. Quem nunca ficou até mais tarde no trabalho apenas por não querer ir para casa? Ou saiu do trabalho e foi se encontrar com os amigos?
Quem nunca se sentiu só após uma separação? E quem nunca entrou em casa e foi logo ligando a TV, o rádio, o computador? Por querer saber as notícias, ouvir música, receber e-mails, conectar-se com outras pessoas? Não, essas podem até serem as justificativas que a maioria diz, mas lá no fundo, o que desejam mesmo é fugir da solidão. E o que significa estar só senão estarmos em nossa própria companhia?

A cada passo... uma brasa a menos... para o horizonte.

A vida é um caminhar em brasas... Enquanto manteres o ritmo do caminhar... não queimarás os pés.  Carlos Kurare