quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Admirável mundo novo...eu quero é somatizar!!!

Só com muita soma pra aguentar tantos absurdos! Este país "precisa de homens e livros"!  

Carlos Kurare

"No país da fantasia, num estado de euforia
Cidade polichinelo
Sítio do Pica-Pau amarelo"
Gil


Lobato e o CNE

09/11/2010
Há frases nitidamente imperialistas e machistas em Aristóteles. Há frases machistas e racistas em Kant. No entanto, não pode passar pela nossa cabeça, sem cair no ridículo, preparar obras desses autores com notas de rodapé alertando o leitor sobre a particularidade de época dessas frases. Por que isso seria ridículo? Por uma razão simples: o clássico se caracteriza por falar de uma situação particular com tal maestria que ele a eleva à condição universal, extrapolando seu contexto, sem que com isso precise qualquer retoque – até porque os retoques que não puderem ser universalizados é que garantem que o conteúdo mais importante seja universalizado.
Quem não sabe isso não sabe o que é um clássico. Então, pode querer “consertar” obras clássicas. Age como um restaurador de quadros que, estupidamente, corrige um Picasso ou uma Anita Malfatti e, então, descobre que ao fazer isso tornou tais obras sem valor.
A educação brasileira já faz alguns anos que está caótica. Então, é fácil de entender que já tenhamos em cargos de importantes instituições governamentais que lidam com a educação, aqui e ali, pessoas que não tiveram uma educação formal regular e, então, não aprenderam como ler os clássicos – mal sabem o que é um clássico. Em nenhum momento leram Machado de Assis. Nem mesmo quando crianças alcançaram Monteiro Lobato. Essas pessoas teriam de voltar para a escola. Mas, qual a escola? Destruímos a escola pública e a escola particular já está no mesmo caminho.
Logo teremos o círculo vicioso: os que comandam a educação no Brasil serão tão sem educação quanto os que, estando na escola, terão como destino a substituição desses comandantes. E então, sem mais, esses bárbaros irão censurar Kant, Aristóteles, Picasso, Anita Malfatti, Machado de Assis e, é claro, Monteiro Lobato. Dirão que não estão censurando e, sim, “melhorando”, “corrigindo”, colocando “detalhes de alerta”. O que pode acontecer de ruim quando chegar esse tempo, que já está de portas abertas para nós? O pior pode ser isto: a sociedade não perceber que o que essas pessoas se propõem a fazer é ridículo e denota que estão no lugar que ocupam de modo ilegítimo. São incompetentes.
O ministro da Educação Fernando Haddad não concordou com a barbárie do CNE de rasurar a obra de Lobato, acusada de modo descabelado de racista. No entanto, triste do país que precisa ter no ministro da Educação a figura do policial do policial. Ou seja, teremos de ficar à mercê do eventual iluminismo de um mandatário no MEC para que o CNE não volte a agir como visigodos em Roma?
Está na hora da sociedade brasileira se perguntar como ela chegou ao que chegou. Ou seja, como que montamos um Conselho Nacional de Educação (CNE) que, ao invés de ser a elite intelectual da nação, se comporta segundo personagens que ateariam fogo à biblioteca de Alexandria exatamente para poderem aquecer a cidade no inverno?
Há pessoas que culpam o “politicamente correto” nesse caso. Outros dizem que seria a estupidez de alas do “movimento negro”. Nem uma coisa, nem outra. O “politicamente correto” nasceu sem caráter revisionista. Ela visava o futuro de nossa linguagem, para suavizar relações, não a destruição do patrimônio cultural. E o “movimento negro”, ainda que tenha muito que aprender com a capacidade de rir de si mesmo do “movimento gay”, não pode carregar nas costas o que foi feito por pessoas que não o integram – não oficialmente. A atitude do CNE é do CNE. O erro veio dali. É um erro que denota falta de familiaridade com a cultura. Precisamos corrigir isso.
© 2010 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ. 
Peguei aqui  mas a dica veio por email da Dra.
A propósito Dra. ainda não postou a sua foto no Lattes!


Sítio Do Pica-Pau Amarelo - Gilberto Gil, Vinhetinha

Um comentário:

Luciana Façanha disse...

Por falar em educação...

As nossas escolas, professores,de anos atrás deixam saudades...É uma pena, mas essa época não volta mais.

Muito além de um jardim!

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