sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

"Fica comigo esta noite... e não te arrependerás!"


Em minhas mãos jaz o índigo-blue do teu vestido
Em meus olhos jaz o mel dos teus olhos.
E em meus ouvidos... JAZZ!
Carlos Kurare


A vida é curta curta a vida!


BB King - Blues Boys Tune



Mel - Caetano Veloso


Paula Cole - Feelin' Love - filme "City Of Angels"

A minha obra é um espelho... No qual vemos nossos reflexos!



Você que me acompanhou este ano, ou nestes últimos meses, ou nesta última semana, ou neste dia... Eu fiz este blog pra nós... não fiz nada aqui que não me fosse prazeroso.
A não ser o ato de digitar que sempre me foi penoso devido a artrite. Investi horas e horas neste lazer e o partilhei com você. Agradeço a todos que disponibilizam conteúdo na internet. Agradeço aos geniais criadores desse conteúdo e agradeço a você que tem a sensibilidade para apreciar esse conteúdo. Pois, sem você, querida e querido leitor... este Blog não existiria!
Portanto pra mim é claro como o dia no Kalahari:






A minha obra é um espelho... No qual, vemos nossos reflexos!
Carlos Kurare



 










  Anu branco
+


 Anu Preto
+

  Ovo de Anu
 =

Feliz anu OvO !!! 
    Carlos Kurare




Amanhecer - Ode a Alegria.wmv

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Não sou quem me navega...quem me navega é o mar...


 
Hoje pela enésima vez recebi um email no qual a pergunta central era: o que você faz da vida?
Minha resposta:

Eu não faço nada da vida... a vida é que faz o que quer de mim!



As perguntas mais comuns, nas conversas comuns são sempre relacionadas, a onde você mora, no que você trabalha o que você tem? O que posso tirar de você? Como vou sugar egoisticamente seu ter e o seu ser. Caramba! Como há vampiros soltos à noite?
Não é à toa que haja tantos relacionamentos pastéis de vento, fugazes e sem recheios. Fala-se muito em individualismo, nas vantagens e na importância de se viver só... de se bastar. Mas pera ai... Uma coisa é uma coisa... outra coisa é outra coisa! Favor não confundir individualismo com egocentrismo.

Darei aqui uma dica para quem frequenta sites de relacionamento. Fique com um pé atrás com gente com fotos sem sorrisos. Pois, 53% das pessoas que postam fotos sem sorriso, são problemáticas. 45% são pessoas amargas.
Ah os 2% restantes? São boa gente! Mas...não têm dentes!
?:0)

Carlos Kurare



A bomba mente e sorri sem dente!
Carlos Drummond


Ser

O filho que não fiz
hoje seria homem.
Ele corre na brisa,
sem carne, sem nome.

As vezes o encontro
num encontro de nuvem.
Apoia em meu ombro
seu ombro nenhum.

 

Interrogo meu filho,
objeto de ar:
em que gruta ou concha
quedas abstrato?

Lá onde eu jazia,
responde-me o hálito,
não me percebeste,
contudo chamava-te
como ainda te chamo
(além do amor)


onde nada, tudo
aspira a criar-se.

O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.

Carlos Drummond de Andrade


Timoneiro - Paulinho da Viola


Timoneiro

( Composição Paulinho Da Viola E Hermínio Bello De Carvalho )

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Não acredito mais No fogo ingênuo, da paixão São tantas ilusões Perdidas na lembrança...


Que poesia linda... até parece música!
Carlos Kurare

Noturno

Composição de Graco e Caio Sílvio

O aço dos meus olhos
E o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio
Mas deixaram suas marcas...

Se hoje sou deserto
É que eu não sabia
Que as flores com o tempo
Perdem a força
E a ventania
Vem mais forte...

Hoje só acredito
No pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia
Em cada ponto de partida
Há muito me deixou
Há muito me deixou...

Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu
Não acredito mais
No fogo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões
Perdidas na lembrança...

Nessa estrada
Só quem pode me seguir
Sou eu!
Sou eu! Sou eu!...
Hoje só acredito
No pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia
Em cada ponto de partida
Há muito me deixou
Há muito me deixou...

Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu
Não acredito mais
No fogo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões
Perdidas na lembrança...
Nessa estrada
Só quem pode me seguir
Sou eu!
Sou eu! Sou eu! Sou eu!...

Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu
Não acredito mais
No fôgo ingênuo, da paixão
São tantas ilusões
Perdidas na lembrança...
Nessa estrada
Só quem pode me seguir
Sou eu!
Sou eu!
Sou eu!
Sou eu!...

 
 A primeira vez que prestei atenção
numa música
do Fagner foi em 1979.  E foi o Tenente Fulop que me falou: presta atenção na letra! Ouvimos várias músicas do Fagner e fiquei encantado com a voz que a princípio arranhava meus ouvidos, mas logo depois comprei dois discos dele e virei fã. Curioso que nunca tive vitrola. Eu pedia para alguém passar do disco para fita K-7. Eram tempos duros...Tempos de ditadura!
O Fagner é um grande intérprete de belíssimas músicas da MPB.
Aquele abraço Fagner!
Carlos Kurare 

NOTURNO - Raimundo Fagner - Composição de Graco e Caio Sílvio


Por ter sido pisado por muitos pés é que me tornei um bom vinho
Carlos Kurare

O Vinho - Fagner - (2001)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ah! Eu acredito e pratico o fogo ingênuo da paixão!


Sinto muito... Mas vou acreditar sempre nesse fogo,
e mais do que acreditar eu vou procurá-lo incansavelmente.
Pois acredito em duendes, fadas, e não nasci musgo
Não nasci pedra, não nasci mudo, nasci sim água-corrente!

E ao acender uma lamparina no lusco-fusco do poente.

Um nome vem brotar na grota de minha mente!
Sim , era esse o nome... esse JUstatamente.

Não nasci esquálido, não nasci fraco, não nasci homem doente.

As rimas são pobres! Eu sei... é chato, é deprimente.

Dane-se! To sem tempo e to contente! Quero gritar insanamente!


Menta pra mim, pois quero o frescor desse sorriso!

Quero esse riso jovial, esse olhar terno
Ritmados com a nossa vibração interna
Do solstício de verão... ao de inverno
Que tenha do silício, a vibração eterna

"Tempus fugit"? "Carpe diem"!

Carlos Kurare




As fotos peguei na net. O texto abaixo é do Fábio Rockenbach


Aconteceu naquela noite



"Quando terminam os 105 minutos de “Aconteceu Naquela Noite” é extremamente difícil de acreditar que uma das obras-primas de Frank Capra tenha sido costurada com tanta dificuldade, desavenças e má vontade dos envolvidos. Enquanto Clark Gable entrou na produção a contragosto, emprestado pela MGM para puni-lo por sua recusa em aceitar seguidos roteiros da produtora, Claudette Colbert foi um misto de descontentamento e blasé durante as filmagens.
A muito contragosto exibiu suas pernas na mais famosa cena do filme e, mesmo após receber o Oscar por sua interpretação, alfinetou que aquele teria sido o pior filme que já fizera. Muito difícil de entender tamanha rejeição por um filme que, do outro lado do processo, cativou ( e cativa ainda, passados mais de 70 anos ) tanto ao público. Mas que pese a facilidade com que a história, roteirizada por Robert Riskin, envolva o público com naturalidade, “Aconteceu Naquela Noite” é um marco por romper com certos parâmetros e dar uma sopro de frescor ao cinema americano na década de 30.

Colbert é a Ellen Andrews, filha de um milionário, rebelde devido aos mimos que sempre recebeu do pai, que foge quando ele a impede de se casar com um piloto, “um mero farsante” na opinião do seu pai. Gable é um jornalista recém-demitido e beberrão, que resolve transformar a milionária em fuga na grande história que o trará de volta ao topo. Enquanto os Estados Unidos procuram por Ellen, Peter, o jornalista, faz de tudo para mantê-la escondida, levando-a como um prêmio particular até Nova Iorque, onde ela pretende se encontrar com o noivo.
Em meio a uma época onde comédia se baseava em peripécias físicas e uma certa inoperância de espaços, Capra rodou o que pode ser considerado o primeiro road-movie da história do cinema. Saiu dos estúdios e levou seus atores para ambientes naturais dos mais variados, que fornecem à trama um constante sabor de novidade. Não teve medo do puritanismo da época e apimentou sua história com referências sexuais ao mostrar como duas pessoas tão diferentes acabam se aproximando, mudando conceitos e se apaixonando. Se o argumento é batido e tema de 10 comédias por ano atualmente, foi um impacto nas platéias de um país que ainda sofria com a recessão que começara 5 anos antes.
E Capra, considerado o redentor da nação com suas comédias leves e estórias encorajadoras nos anos difíceis, não esquece disso em nenhum instante. Mesmo a cena com o menino faminto no ônibus, ainda que soando gratuita, mostra que havia a preocupação de fazer o público se enxergar na história de Ellen e Peter – o que já acontecia pelo simples fato de os personagens transitarem por meios comuns ao público da época: ônibus, hotéis de beira de estrada, postos de gasolina isolados e a intervenção de personagens típicos de um país em crise.
Entre ladrões, aproveitadores ou pessoas mais preocupadas com o dinheiro, Ellen e Peter evoluem lentamente: ela para uma mulher menos mimada e conformada com sua situação, e ele para um típico bon-vivant que não consegue disfarçar seu coração mole.



Ainda que Capra não fosse um diretor de apuros visuais visíveis ao público, tem um domínio absoluto do espaço onde filma sua história. Transita entre vários ambientes mantendo o frescor da história, dominando a atuação de sua dupla de atores e nunca se sobressaindo a eles, deixando claro que o filme pertence a eles e o diretor, no caso, tem apenas a missão de conduzir essa história – e isso é impressionante sabendo que Gable e Capra começaram a rodar o filme sob forte tensão, e só aos poucos foram se aproximando. Ainda que sutilmente, o diretor consegue criar belos planos: um movimento de câmera acompanha a travessia de Ellen em um acampamento rumo ao banheiro enquanto ela cruza com diferentes pessoas de classes bem diferentes à que ela está acostumada a freqüentar. Em outra cena, acompanha o caminhar da dupla por uma estrada momentos antes da mais célebre cena de longe, colocando-os no centro da tela e localizando os dois no cenário de uma rodovia vazia, caminhando como duas pessoas perdidas, mas também com todo o tempo do mundo à disposição, ainda que com os pés doendo.
E toda a seqüência em que Ellen descobre seus sentimentos por Peter são uma prova de porque Colbert ganhou o Oscar, ancorada por um belo jogo de sombras que a mostra de camisola, de costas, enquanto, por trás das “muralhas de Jericó” que separam o casal nos hotéis de beira de estrada vemos apenas a sombra de Gable refletida na parede.


Todo o vigor e o ritmo caem um pouco quando o filme se aproxima de seu final, mas Capra sempre gostou de passar boas mensagens ao público, e estórias envolvendo mal-entendidos são um prato cheio para comédias românticas. A screwball commedy que notabilizou o gênero nos anos 30 e 40 deve muito a “Aconteceu Naquela Noite”. Como comédia, consegue ser hilariante – a famosa cena da carona, inúmeras vezes imitada posteriormente, também reserva a mais engraçada cena do filme com o desespero de Gable por não conseguir uma carona – e como retrato de época, contundente: alterna a graça da guerra dos sexos e dos diálogos afiados com uma maturidade surpreendente por parte de seus atores.
Não ganhou os cinco oscars principais ( filme, direção, roteiro, ator e atriz ) por mero capricho da Academia, nem conquistou o público e ( posteriormente ) a crítica devido aos prêmios. O meio social que envolve a história de Ellen e Peter e os microcosmos formados ao longo da trajetória de ambos – especialmente dentro do ônibus – deram combustível para Capra exercitar o desfile de caráter e moral que tanto bem faria ao povo americano em seus filmes posteriores. Nenhum deles, entretanto, com tanta maturidade e ritmo como aqui.
E Colbert podia até preferir a Cleópatra que ela protagonizou no mesmo ano, mas estava errada: em uma profissão que dependia da paixão do público para manter suas estrelas, “Aconteceu Naquela Noite” foi o maior exemplo de como os caprichos do cinema às vezes podem acabar criando jóias inigualáveis.
Escrito por Fábio Rockenbach em July 6, 2010Avaliação: ★★★★★★★★★★

( It Happened One Night, EUA, 1934 ) Direção de Frank Capra, com Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connolly, Roscoe Karns"

Fagner - Borbulhas de Amor
Para ver o vídeo Clique aqui 

Amado Batista e Fagner - Romance no Deserto
Para ver o vídeo clique aqui

Vale a pena ver de novo!




...Nos recônditos de nossas almas, somos deliciosamente... insuportáveis!
Carlos Kurare

É muito fácil gostarem de nós, quando somos agradáveis... quando falamos o que querem ouvir. Quero ver gostarem de nós quando somos nós mesmos, com nossas idiossincrasias, nossos queixumes, nossas dúvidas, nossos maniqueísmos e nossas ambigüidades.
Pois, nos recônditos de nossas almas, somos deliciosamente... insuportáveis!
Carlos Kurare



Ah! Elis! Sua beleza morena, seus olhos gris...
Por que, eu me pergunto! Viajaste fora do combinado?
Por que partistes, sobre as asas de uma quimera de pó?

Saudade existe!
Nos duros dias que vivi... sua voz muitas vezes embalou meus sonhos, me iludiu com um dia melhor.
Elis...Dias melhores sempre acabam por vir. Vem e vão, todos os dias...
Obrigado Elis, por ter passado pelos olhos e ouvidos de um adolescente. Obrigado por continuar presente na maturidade.
Pena que você era tão frágil, e foi-se, levada pela foice da dama de branco.
Mas...Obrigado, por ter deixado resíduos no espectro de minha alma!

Carlos Kurare




Elis Regina - Conversando no Bar - cop.: Milton Nascimento e Fernando Brant





Elis Regina Ao Vivo no Chile - Conversando no bar - cop.: Milton Nascimento e Fernando Brant





Elis Regina - Atrás da Porta - ao vivo - Composição: Chico Buarque- Francis Hime




Até já ELis...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Déjà vu


A distância não limita as pessoas...pessoas é que limitam pessoas



Num átimo eu tive um Déjà vu
Tenho procurado carne em muito angu
Sei que não sei o que rima com Ju
Talvez um gnu
Talvez uma vida...
Se soprar a ferida...
ela sara?

Sei que joguei mal as palavras, mas ouvi dizer que: 
azar no jogo? Sorte no amor!
Resolvi tentar... vai que cola!





Emilio Santiago - Viagem


Composição: João de Aquino / Paulo César Pinheiro

Oh! tristeza me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia
Veio ao meu encontro
Já raiou o dia
Vamos viajar.
Vamos indo de carona
Na garupa leve
Do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe
Lá do fim do mar.

Vamos visitar a estrela
Da manhã raiada
Que pensei perdida,
Pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar.
Senta nessa nuvem clara,
Minha poesia,
Anda se prepara,
Traz uma cantiga
Vamos espalhando
Música no ar.

Olha quantas aves brancas,
Minha poesia
Dançam nossa valsa,
Pelo céu que o dia
Faz todo bordado
De raio de sol.
Oh! Poesia me ajude,
Vou colher avencas
Lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza
De jardins do céu.

Mas pode ficar tranqüila,
Minha poesia,
Pois nós voltaremos
Numa estrela guia
Num clarão de lua
Quando serenar.
Ou talvez até quem sabe,
Nós só voltaremos
No cavalo baio
No alazão da noite
Cujo o nome é raio,
Raio de luar.

Vale a pena ver de novo!


A Liberdade não se ganha... A Liberdade? Conquista-se!!!
Carlos Kurare







Este poema diz tudo! Fico feliz por lembrar-me de trechos dele e ter pessoas bondosas que compartilham essas maravilhas na WEB. Nesta hora da madrugada, longe de meus livros não teria como postar esta maravilha de poema.




Mário de Andrade

Garoa do meu São Paulo,
-Timbre triste de martírios-
Um negro vem vindo, é branco!
Só bem perto fica negro,
Passa e torna a ficar branco.

Meu São Paulo da garoa,
-Londres das neblinas finas-
Um pobre vem vindo, é rico!
Só bem perto fica pobre,
Passa e torna a ficar rico.

Garoa do meu São Paulo,
-Costureira de malditos-
Vem um rico, vem um branco,
São sempre brancos e ricos...

Garoa, sai dos meus olhos.







A primeira vez que li navio negreiro, lembro-me bem, foi no livro do Sergio Buarque de Holanda, nas aulas de história do saudoso professor Lima. Putz lembrei-me finalmente do nome dele. Xô alemão!!!

Tenho esse livro até hoje eu tinha... sei lá, uns 13 anos! Decorei esse trecho anos mais tarde, e adorava declamá-lo. O duro era achar quem quisesse ouvir...Ops! Ainda é assim até hoje. Bem vamos lá se delicie com esta maravilha.
Engraçado me veio à mente uma pergunta do tempo de garoto: Quem Castro Alves, foi o Machado de Assis! :o)


Navio negreiro Castro Alves
(Fragmento)

V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! 
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?   Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!... 
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . . 
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael. 
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!... 
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer. 
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar... 
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!... 
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
 
VI

Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio.  Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... 
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!... 
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares! 

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...


VI


Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!






O navio negreiro - Caetano e Maria Bethânia - Poeta Castro Alves



Liberdade é uma calça azul e desbotada
Por falar em Liberdade e esse ranço de cores: Branco, preto, amarelo azul e desbotado lembrei-me agora de uma propaganda da us top vou ver se a acho para você.
- "Pera" ai!
- É... foi o que eu disse: "pera" ai!
- É verbo sim!
- Não tem no Aurélio?
- Calma um dia vai ter!
- Estou trabalhando para incorporar o vocábulo ao vernáculo pátrio, já que 93,12% da população o usa frequentemente.
Achei:

 









UsTop - Seu Jeito de Viver - 1976




Comprei o primeiro CD do Ladysmith Black Mambazo há uns 20 anos, comprei no antigo Eldorado da Rua Pamplona era perto de casa e gostava de comer lá. Ouço esse CD até hoje e me encanto com o canto desses bravos guerreiros africanos.

Gente é gente!

Obrigado gente, por povoar meus ouvidos e meu cérebro com música da melhor qualidade!




Rain, Rain, Beautiful Rain - Ladysmith Black Mambazo



The lion sleeps tonight - Ladysmith Black Mambazo





Quem lembrar de Pata Pata...é mais velho do que eu! :o)
( Belos cabelos pretos! É um verdadeiro padrão! Eh lá em casa!!!)









Miriam Makeba - Pata Pata 




Invictus Trailer - Direção de Clint Eastwood  - Matt Damon Morgan Freeman

Muito além de um jardim!

Flor cuidada por mim Flor Amorosa Num belo dia desejei só para mim Mulher amorosa e decente E como jardineiro diligente Semeei a...