quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Eu bebo até café frio! Desde que a companhia seja quente!



Túnel do Tempo: Esta postagem foi publicada originalmente no dia 17 de fevereiro de 2010.


Interessante essa coisa de desacelerar, há décadas atrás eu já me prepara para isso, mas, as artrites antecederam as coisas de forma não muito afável. Vejo tantas mulheres atualmente, com muito para oferecer, e consequentemente para receber de uma relação amorosa, vivendo de quirelas afetivas, pois optaram por viver apenas por um objetivo profissional (que infelizmente não sou eu rs).
Eu penso que independente da condição financeira de cada um, o que torna a vida bela, quentinha como um cobertor de lã no inverno é, acima de tudo, a companhia que temos. Lembrando que, cobertor com você sozinha, não esquenta nem há pau!
Vejo que muitas mulheres (e homens também) são extremamente pontuais em seus compromissos profissionais, mas, não o são com a família, com seus companheiros, consigo próprias.
Menina! O tempo não para! Não adie o seu futuro, faça diferente! Fazendo sempre igual o resultado será sempre o mesmo, quer resultados diferentes, faça coisas diferentes!
Eu prefiro ficar 30 dias em casa, comer pipoca, e beliscar o meu amorzinho, do que "beber um bom vinho" e beliscar iguarias com uma ETílica qualquer, em um lugar paradisíaco.
A propósito que raio de marca de vinho é essa que faz um tremendo sucesso em perfis de sites de relacionamento: "Um jantar acompanhado de um Bom Vinho"... Bom vinho?



Eu bebo até café frio! Desde que a companhia seja quente!
Carlos Kurare



Texto na Revista do Jornal O Globo)
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado,  decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
    E, entre uma coisa e outra, leio livros.
      Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
      Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
      Primeiro: a dizer NÃO.
      Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
      Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
      Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
      Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
      Você não é Nossa Senhora.
      Você é, humildemente, uma mulher.
      E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
      Tempo para fazer nada.
      Tempo para fazer tudo.
      Tempo para dançar sozinha na sala.
      Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
      Tempo para sumir dois dias com seu amor.
      Três dias.
      Cinco dias!
      Tempo para uma massagem.
      Tempo para ver a novela.
      Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
      Tempo para fazer um trabalho voluntário.
      Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
      Tempo para conhecer outras pessoas.
      Voltar a estudar.
      Para engravidar.
      Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
      Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
      Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
      Existir, a que será que se destina?
      Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
      A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem..
      Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
      Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
      Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
      Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
      Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
      Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
      E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'
      Martha Medeiros - Jornalista e escritora

3 comentários:

Luna disse...

Ah...Martha Medeiros é covardia! Me identifico demais com os textos dela.

Você conhece, "Eu, modo de usar"? Tão franco quanto este que você postou.

A Martha tem uma linguagem direta, sem frescuras...sou fã dela.

Beijos!

Márcia disse...

Olá Carlos.
Lendo seu artigo me fez lembrar de um texto que li há muitos anos atrás sobre o "Ter e o Ser", como você diz: "eu tomo até café frio" desde que sendo em boa companhia!
Pois o que vale realmente nesta vida são os bons momentos (mesmo que breves) que podemos passar ao lado de pessoas que nos transmitem riquezas em suas palavras, gestos e atitudes.
... o texto da borboleta reflete exatamente o que nos acontece diariamente, pois, pedimos, mas por vezes ficamos cegos, e não conseguimos perceber que Deus realmente nos dá tudo o que precisamos no tempo certo, todos os dias, e ainda nos permite termos surpresas de encontros surpreendentes!!!

Bj

Anônimo disse...

Adorei o texto de Martha Medeiros e sou conivente com tudo que escreveu no texto !!! Às vezes esquecemos de como viver (direitinho) e quase sempre pendemos para o modo errado, mas, sempre há tempo para parar e voltar para o lado certo !!! Também concordo com as palavras de Carlos Kurare, os valores estão exacerbados para o TER, e, infelizmente, o SER fica em segundo plano !!! Silvana Bacana.

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