quinta-feira, 3 de maio de 2012

Se possível... Cuide-se mais!


Raramente as pessoas ficam mais belas ao envelhecer, mas certamente, muitas ficam mais atraentes ao amadurecerem. E maturidade... é como preparar uma trufa de chocolate. Faz-se da mistura de tempo e experiência, mas para ficar realmente saborosa requer dos confeiteiros inteligência e sensibilidade no trato dos ingredientes.
Carlos Kurare

Cinco coisas que melhoram na vida da mulher ao envelhecer

Seção: Saúde da Mulher
08/03/2012 | 0

Helen Mirren, em boa forma depois dos 60 anos, é modelo de beleza e atitude na maturidade

Talvez o mais difícil seja superar a fase de negação. Mas o processo de amadurecimento traz vantagens inegáveis para a mulher que se prepara para ele. Especialistas são unânimes em afirmar que, embora haja perdas, uma atitude positiva é capaz de levar a mulher a uma fase rica de experiências novas e qualidade de vida.

O segredo é se preparar para essa fase. O corpo se transforma, sobretudo a partir do climatério, fase de transição para a menopausa, quando efetivamente se encerra a capacidade reprodutiva da mulher. “Do ponto de vista de saúde existe um risco maior de osteoporose, doenças cardíacas, hipertensão arterial e demência”, alerta o ginecologista Luciano de Melo Pompei. Em contrapartida, miomas e endometriose desaparecem ou passam a incomodar menos. “A mulher que se prepara melhor sabe que a menopausa não significa que ela está velha. Hoje mais de um terço da vida se dá pós-menopausa, são décadas”, afirma Luciano.

Veja cinco pontos em que o amadurecimento pode favorecer a mulher

1. Solução para os desconfortos
Ela pode lançar mão de recursos que minimizam ou eliminam a grande maioria dos sintomas da menopausa e pode, também, dar adeus às mazelas femininas típicas da fase anterior, como TPM, por exemplo.

Para Pompei, novas terapias e tecnologias, como a reposição hormonal, não apenas melhoram a qualidade de vida, mas representam uma possibilidade real de controlar a maior parte dos desconfortos associados a essa fase da vida. “É possível diminuir ou eliminar esses sintomas da menopausa”, reforça. “Sabemos prevenir e tratar as doenças da velhice.” O resultado é uma geração de mais de 60 anos ativa, produtiva profissionalmente, com forte envolvimento em atividades sociais, culturais e familiares. “Na média, as que enfrentam melhor o envelhecimento também praticam mais atividades físicas e tomam cuidado para não ganhar peso em excesso”, afirma o ginecologista.

2. Foco na própria vida

Com a família criada e sem filhos demandando atenção constante, essa é a fase em que a mulher pode experimentar uma nova liberdade em relação ao tempo. “Ela foca seu desejo, prazeres e decisões nela mesma e não nos desejos e vontades de outros. A mulher passa a ter como centro o que realmente deseja para ela, e não o que os outros pensam”, afirma a antropóloga Miriam Goldenberg, que acaba de lançar o livro “Corpo, envelhecimento e felicidade”, em que discute sua tese de que a vida a partir dos 50 anos é a melhor fase da vida da mulher.

Para a gerontóloga Célia Caldas, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e vice-diretora da Universidade Aberta da Terceira Idade, os ganhos com a chegada da menopausa superam as perdas associadas. “Não ter mais a função biológica da reprodução é uma libertação social. A mulher pode focar sua energia criadora para outras coisas, como a transcendência”, afirma. “Há uma linha de estudiosos que afirma que esse é o momento em que a mulher consegue realmente exercitar seu poder, pela sua sabedoria, experiência de vida e autorrealização.”

3. Corpo em paz

As tensões da guerra que as mulheres travam com o próprio corpo se atenuam com os anos. A importância da batalha contra as primeiras rugas, o abdômen que parece acumular todas as sobremesas a mais ou os fios brancos é relativizada. “O corpo se torna muito mais um objeto de prazer, cuidado, bem estar e qualidade de vida do que um laboratório de experimentos em busca da juventude eterna, da magreza e da perfeição”, afirma Mirian.

Célia lembra que questões totalmente centradas no físico vão parecer perdas. “Mas isso depende também dos objetivos existenciais de cada uma. O projeto de vida de ser gostosa, bonita e seduzir é inviável na velhice. Aí não há ganho que suplante essa perda”, alerta. “Por outro lado, se você conhecer bem seu corpo e souber utilizar seus recursos, a vida sexual, embora menos intensa, é igualmente prazerosa”, afirma.

4. Hora de se divertir
Nessa fase da vida, as relações sociais e a importância de ter tempo de boa qualidade emerge com força total. “Muitas mulheres redescobrem como brincar e se divertir mais, se levar menos a sério. Aprendem a dar mais risada e ter mais diversão na vida”, afirma Miriam, que lançou o movimento das “Coroas Poderosas”, com propostas libertadoras, sobretudo com relação ao corpo. “É uma fase em que, se tiver saúde e algum dinheiro, ela pode se divertir e brincar muito mais”, afirma a antropóloga.

Amigos se tornam cada vez mais importantes. “Nessa idade, a pessoa dá muito mais valor aos amigos do que pessoas mais jovens. Ela tem mais tempo disponível para cultivar as amizades e são amizades maravilhosas. As pessoas se divertem, cada almoço e festa é um acontecimento”, afirma Célia. “Os aprendizados são muito valorizados também. A aluna dessa idade assimila conteúdos e consegue aplicar imediatamente, coisa que o jovem tem mais dificuldade de fazer”, acredita.

5. Transcendência

Nessa fase, é possível haver uma mudança de valores que foca muito mais em ganhos subjetivos. A experiência e vivência permitem que a mulher que exercita uma perspectiva otimista do amadurecimento colha os frutos da própria vida. “Aquelas que olham para detalhes como a celulite, a barriga flácida e o peito caído, sofrem com o processo de envelhecimento. Mas quem olha o todo e enxerga ganhos em termos de segurança, confiança e repertório se sente muito satisfeita com o envelhecimento”, afirma Mirian.

“Para muitas mulheres, é a melhor fase da vida”, conclui. Contudo, Célia alerta: nem todas vão conseguir fazer esse movimento de transcender limites e usufruir dessa nova etapa da vida. “Pessimistas não transcendem. Apenas quem está de bem com a vida e tem flexibilidade suficiente consegue tolerar situações difíceis ou desafios e extrair delas o melhor partido”, afirma.

Ela lembra também que, a partir da aposentadoria, a mulher pode se dedicar a atividades criativas sem necessidade de atender a demandas do mercado. “Na escala de valores da nossa sociedade, o maior valor é o trabalho e o dinheiro”, afirma. A mulher aposentada pode considerar essa parte da dívida social cumprida e aproveitar a oportunidade que se abre de realocar esses objetivos, valorizando atividades criativas, buscando fazer o que lhe dá prazer, mergulhando na busca do conhecimento ou oferecendo sua sabedoria para ajudar os outros – viver o que for valioso para ela.

Fonte: Verônica Mambrini, iG São Paulo

Mercedes Sosa e Raimundo Fagner - "Años" (1981)

Como fazer Trufas

2 comentários:

Jacq Passos disse...

Lendo esse post tive a suave "certeza" que minha vida começará realmente aos 50, quando não terei que doar todo o meu tempo aos filhos ainda pequenos, quando poderei realmente escolher o que eu quero e o melhor, o que eu não quero mais! Simples assim. Simples? Beijo, Kurare.

Marina disse...

A minha vida realmente começou após os 50 anos!
Sou mais feliz agora!

Muito além de um jardim!

Flor cuidada por mim Flor Amorosa Num belo dia desejei só para mim Mulher amorosa e decente E como jardineiro diligente Semeei a...