Foi deus que deu voz ao vento...


Em algum lugar no mundo...

Neste momento, enquanto lágrimas percorrem as maçãs de meu rosto, em algum lugar do mundo, uma criança corre feliz. Ela brinca com folhas que caem de uma árvore ao gargalhar do vento.

Em algum lugar do meu mundo, neste momento, eu sento e deixo minhas tristes lembranças para trás, ao ver o sorriso dessa criança que brinca com o que lhe apraz.

Crianças brincam com tudo, com borboletas coloridas ou não, com gravetos, com insetos de jardim, com areia ou terra. Crianças brincam com a simplicidade da vida e são felizes! Elas não precisam de vídeo games, computadores, celulares ou eletrônicos. Crianças são como condores, ficam felizes só com uma corrente de ar quente. Crianças são criaturas decentes.

Quando vejo um menino esquelético sorrir, não por um prato de comida cara, de um restaurante caro, de uma cidade cara, frequentado por pessoas caras, mas simplesmente pela alegria gratuita de uma brincadeira infantil. Eu digo a mim mesmo: Cara! Olha a cara desse menino! Ele é feliz com tão pouca coisa cara!

Ele é feliz com a vida, e com a beleza que ela nos dá em cada generosa fresta de sol.

Carlos Kurare

São Paulo - 02/02/2013


LISBOA - Foi Deus - Amalia Rodrigues


Foi Deus
Amália Rodrigues

Não sei, não sabe ninguém
Por que canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto

Foi deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim

Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor

Foi deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar foi deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai!, e deu-me esta voz a mim.

Comentários

Lina Maria disse…
"O destino quis que a gente se achasse, na mesma estrofe e na mesma classe, no mesmo verso e na mesma frase."
Paulo Leminski

Encontros, desencontros e um preço a pagar...
Histórias encerram-se e outras iniciam; a roda viva da vida em seu ciclo interminável.
"Um brinde à vida, poeta!! Que venham vidas, lágrimas, encontros, desencontros...
..."é a vida...é bonita e é bonita"

Ah..."esta é a banda da esperança, até encontarmos o nosso lugar"
https://www.youtube.com/watch?v=EbY8Y6AKNcg

Um beijo e um queijo!

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