sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um dia um marimbondo invadiu o meu Lar.


Um dia vi um marimbondo entrar em minha casa, ele voava sem a graça das borboletas, sem a leveza dos pássaros, mas voava, e deixei-me iludir, não o matei. No dia seguinte eram dois, no terceiro dia, vi três. Pareciam como aviões “Zero”, como camicases embriagados de saquê³. Embriagavam-me com o som furioso de suas asas. Nada fiz, apenas observei. Lembro-me de fazer um comentário de caráter filosófico: de onde vêm os maribondos, para onde vão? Mas enfim, eu tinha coisas mais sérias para fazer, tinha meus problemas cotidianos, minhas dores, meus enigmas, minhas cores, minhas sigmas¹, meus estigmas, e parvamente, ignorava os marimbondos. Mas eles continuaram a vir visitar-me, a andar ao meu lado, mas, não me incomodavam, e nunca os matei.
Certa ocasião, minha filha encontrou um pássaro morto no jardim, ele estava todo picado, lembrei-me de uma cena de “Os Pássaros”, do Hitchcook: um pássaro morto, todo contorcido. A cena ainda me causa pena. Engraçado, isso não me acontece quando vejo baratas, lagartixas e outros insetos mortos, afinal são insetos, não partilham meus sonhos. Os dias passaram e continuarão a passar. Os dias, enfim “passarão”.
Um dia, vi minha filha entrar abruptamente no meu quarto, prendia um grito na garganta, e expressões de dor, medo e imobilidade brotavam de seu rosto jovem e lívido. Foi aos soluços que me disse que nosso cão estava morto. Eu com dificuldades levantei-me da cama, a abracei e corri como só um esquálido corre para fora da casa. Pude ver nesse momento o enxame de marimbondos que ainda se regozijavam no ar em volta de um cão que um dia nos dera alegrias tão caninas, e ali as assassinas sorriam, com dentes de vilões. Eu nada fizera até então. Diante de minhas limitações, vi que nada poderia fazer naquele momento a não ser entrar e fechar todas as frestas da minha casa. Corri para o computador e comecei a escrever para os vizinhos, para os amigos, para os estranhos. Meu texto era confuso, pois não dominava as palavras como gostaria. Entretanto, algo gritava dentro de mim, escreve!!! Avisa!!! Acende os faróis!!! Eles estão se disseminando, estão se reproduzindo, pois nada fazemos!!! E comecei a escrever e a mandar e-mails, telefonei para outros. Minha casa tem um enorme cacho de marimbondos. Entrávamos e saímos com medo todos os dias.
Não deixe que isso aconteça a sua casa, ou a casa de seus vizinhos. Faça o que tem que ser feito... Simplesmente, faça! Mate o primeiro marimbondo que invadir sua casa, pois um dia ele invadirá o seu lar.
Bem vamos aos fatos. Um dia um enxame invadiu minha casa. Impossibilitaram a saída ou a entrada dela, só havia aquela porta, morava no segundo andar de um prédio. Bem eu com uma armadura: óculos de mergulho, touca e chapéu, um lenço sobre o rosto e uma calça jeans e uma blusa (nossa como aquilo estava quente era verão e naquela cidade esquecida por Zeus o calor e a umidade eram insuportáveis). Fervi muita água (era o que eu tinha à mão). Munido com esse arsenal de água fria/água quente, e depois de muita luta e nenhuma, nenhuma picada, consegui que o enxame levasse a rainha para outro lugar. Já levei picada de marimbondo, abelha e outros insetos, pois andei em muitas matas, mas o que mais doeu foi o de mamangaba nas costas. Acabo de lembrar-me que uma vez atirei-me na água para fugir de um enxame de marimbondos, levei apenas uma picada, mas, me ferrei, pois a parte da represa na qual mergulhei estava cheia de pedras.
Portanto, fica aqui o alerta, não deixe pedras entrarem em sua vida... Ah! Batatas também não... rsrsrs.
É isso!

Carlos Kurare

Um bom dia e veja o eslaide O silêncio dos Bons! (não sei como postá-lo, caso o queira envio por email).

Sugiro a leitura do livro A revolução dos bichos do George Orwell.
Os filmes A Onda de 1981 e o de 2008.


1 - sigma
1 - A décima oitava letra do alfabeto grego, correspondente ao nosso s.
4 - Estat Símbolo (s) de afastamento ou desvio padrão. MICHAELIS

2 comentários:

Jose mauro pinto fiúsa semauro disse...


muito bom o comentário sobre os morimbondos .aq em casa tb tem alguns .

Carlos Kurare disse...

Não vejo um marimbondo há muitos anos, também não vejo borboletas, nem vaga-lumes só vagas para idosos nos shoppings. Plantei um jardim na minha varanda, mas as borboletas ainda não vieram. Em compensação já veio um beija-flor e algumas minúsculas abelhas.
A modernidade está a espantar a jato os “marimbondos de fogo”
Um grande abraço!
Kurare

Muito além de um jardim!

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