quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Wilson Simonal... O Rei da cocada preta!

"Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de garfo
Que hoje é dia de sopa"
Wilson Simonal

A Música é rica demais para ouvirmos apenas um estilo.


Como comer sorvete de baunilha e se maravilhar com essa falta de sabores?
Eu quero sabores! Quero o sorvete escondido na manga,  quero o humor com a acidez de limão,  quero a cor do abacaxi, da  uva quero o pistache e o suingue só pode ser o do chocolate!

Carlos Kurare


"Aprendi que para lavar minha bunda, preciso tanto da minha mão direita, quanto da minha mão esquerda, e aprendi também que, ambas se sujam nesse processo."
Carlos Kurare

Faço aqui uma singela homenagem ao grande artista Wilson Simonal! Ele foi o Rei da cocada preta quando eu ainda era criança , nessa época, um dos meus amigos era o Jorge, ele é da cor do Simonal . Jogava um bolão e era um excelente aluno. Nessa época não sabia que existia racismo eu pensava que a discriminação era contra nós! ... Os pobres! 
Carlos Kurare





Simonal - Ninguém sabe o duro que dei



Wilson Simonal canta Tributo a Martin Luther King



Brasil Mexico 70 Wilson Simonal - Pais Tropical



Wilson Simonal -Pata,Pata



Wilson Simonal - Sá Marina



Wilson Simonal por ele mesmo

maio 15, 2009 – 3:00 pm
No quarto número de O Pasquim, de julho de 1969, Wilson Simonal era o entrevistado. Em três páginas de perguntas e respostas, sem apresentação (e precisava?), “Simonal conta tudo”.
Abaixo, alguns trechos.
Sérgio – O domínio do público é uma coisa instintiva em você. É claro que há toda uma técnica mas, enfim. É fabricado ou espontâneo?
SIMONAL – Na verdade, eu não magnetizo ninguém. O público é que se magnetiza por si mesmo.
* * * * *
Jaguar – Maísa disse que a pilantragem não existe. Compra essa, Simonal.
SIMONAL – Não, a pilantragem existe. E, inclusive, a pilantragem primordial de Maísa é quando ela picha as pessoas que são realmente muito famosas. É uma maneira de fazer pilantragem. Pilantragem é, por exemplo, este jornal de vocês. É um jornal pilantra, que usa a pilantragem inteligente. Quando uma revista famosa coloca o retrato do artista mais famoso na capa, é para vender revista, entende? Então, eu uso as coisas que aprendi com toda a minha experiência de cantor, de crooner, no sentido de pilantragem musical. E eu não me envergonho de dizer, porque eu disse realmente que é pilantragem e acredito que o público goste de minha pilantragem. O segredo do sucesso da minha pilantragem é que ela não é pretensiosa.
* * * * *
Tarso – E hoje você acha que é o maior cantos do Brasil?
SIMONAL – O melhor, não, mas eu sou um dos melhores.
Tarso – Quais são os outros?
SIMONAL – Os outros, atuantes, eu diria… vocês vão morrer de rir, o Altemar Dutra. É que eu tenho um conceito muito diferente: eu não julgo o bom cantor pelo repertório que ele canta, mas sim pelo que ele pode fazer com a voz. Então, Altemar Dutra, Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto, Agostinho dos Santos, Lúcio Alves… puxa, tem tanta gente, deixa eu ver…
Tarso – O que você acha de Jair Rodrigues?
SIMONAL – Acho um ótimo sambista. Não é cantor, ele é sambista. Cantor não canta samba; ou se é sambista, ou se é cantor.
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Sérgio – O Jaguar está dizendo que não tem a menor idéia do que faria se vinte mil pessoas urrassem seu nome no Maracanazinho. Possivelmente, ficaria estourando de máscara. Você, depois daquela consagração, não perdeu para sempre a sua pureza?
SIMONAL – Não, porque na verdade eu sempre fui, não digo puro, mas em relação à minha profissão eu sempre fui direito. Eu nunca me rodeei de frescuras e pode até parecer um pouco engraçado, cabotino, mas eu não me envergonho de dizer que eu sabia que o público ia cantar comigo. Eu não fui lá desprevenido, eu sabia. Já estou acostumado ao público me aplaudir e empolgar-se com a minha pilantragem. Mas o que aconteceu no Maracanazinho foi que o público não se empolgou, o público se emocionou.
* * * * *
Bali – E o que você acha que tem de mais bacana: beleza, bossa, voz, idéia?
SIMONAL – Eu tenho muito charme.
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Sérgio – Eu digo o nome dos componentes e você dá notas de um a dez.Vamos começar com Chico Buarque.
SIMONAL – Eu daria dez em letra e quatro em música. Acho a maioria das músicas do Chico muito ruins.
Sérgio – Caetano Veloso
SIMONAL – O Caetano merece uma explicação, pela Tropicália que é um tipo de pilantragem. Eu conheço e gravei músicas do Caetano, sensacionais, fora desta linha misteriosa que ele andou fazendo. Na verdade, ele aproveitou o tumulto, a insatisfação geral, a depressão da juventude e optou pelo negócio da pilantragem, que parece não ter dado muito certo. Mas eu daria a ele dez como letrista e cinco como músico.
Sérgio – E Gilberto Gil?
SIMONAL – Dez como letrista e nove como musicista.
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Tarso – Quem é que você escolhe como gênio: Garrincha ou Pelé?
SIMONAL – O Pelé porque…
Bali – Você é racista?
SIMONAL – Não, eu não sou racista, minha mulher é loura, sou vidrado em loura, em olho verde, olho azul e não é necessidade de afirmação, eu acho engraçado, é realmente sensacional. Aliás eu gosto muito de melhor bonita, minha mulher também sabe disso e inclusive me prestigia. Quando eu paquero mulher feia, ela diz que o meu gosto está mudando e ainda me goza. Mas o Pelé foi mais inteligente, porque gênio é em todos os sentidos…
Jaguar – Como é que você encara o preconceito racial no Brasil?
SIMONAL – Acho meio frescura, mas no duro ele existe. E antigamente, quando eu andava empolgado com a esquerda festiva, não me envergonho de dizer que já estive meio nessa, sabe como é: a gente vai estudando, fica com banca de inteligente e pensando que é o tal, achando que muita coisa estava errada, que tinha que mudar muita coisa…
* * * * *
Sérgio – Quanto você cobra por um show em clube?
SIMONAL – Nove milhões de cruzeiro velhos.
Jaguar – Qual a marca do seu carro?
SIMONAL – Uma mercedezinha, mas isso todo mundo tem.
Sérgio – Onde você nasceu?
SIMONAL – Nasci na Avenida Presidente Vargas, mas fui criado no Leblon, numa favelinha que tinha ali, a do 1008. Era uma favela bacaninha, tinha só 47 barracos com TV, água encanada e tudo.

Peguei o texto acima aqui

Bunda
1 Designativo de uma língua falada pelos pretos de Angola. 2 Diz-se de qualquer linguagem corrupta e dissonante. 3 gír Reles, sem valor. sf Língua do grupo banto de Angola e costas vizinhas, Congo e Benguela. Sin: quimbundo.
Dic. Michaelis

2 comentários:

Luna disse...

Carlos,

Amei!!!

Ainda vou recorrer à minha mãe, tentar saber através dela, por que essa música "Sá Marina" me emociona tanto. Talvez tenha ocorrido algo na minha infância que eu não me recorde. Sei lá...só sei que essa música tem gosto de saudade.

Anônimo disse...

Era simplesmente um charme só, Wilson Simonal,lembro-me de várias canções suas até hoje, gostosas de recordar e cantar. Por exemplo, Na Tonga da Mironga do Cabuletê, Vesti Azul,Que Maravilha,Zazueira e Madalena(adoro), e muitas mais que não recordo no momento !!! Silvana Bacana.

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