A ave não me ensinou a passar...

A lembrança do que foi é um alento para o que hoje não há!
Carlos Kurare
Sampa - 22/6/2012 14:07

Fernando... é tão bom ter coisas boas para lembrar, me desculpe se as tenho! Deve ser muito triste não as ter.Tenho boas lembranças de comigo mesmo, de outras pessoas que passaram sorrisos na minha face ou unguentos em minhas feridas. Acumular anos e não ter um relicário de boas lembranças deve ser algo de muito triste para alguém suportar. Felizmente tenho boas recordações...E as trago comigo!

Carlos Kurare
Sampa - 22/6/2012 14:39

ANTES VÔO DE AVE

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLIII"
Heterônimo de  
Fernando Pessoa

Secos e Molhados - Vôo-

Poema de João Apolinário, música de João Ricardo gravada originalmente pelo conjunto musical Secos e Molhados


Vôo

João Apolinário

O bico da ave
da ave que voa
é a proa da nave
da nave que voa
as vigias da nave
da nave que voa
são os olhos da ave
da ave que voa
o coração da ave
da ave que voa
é o motor da nave
da nave que voa
as asas da nave
da nave que voa
são as asas da ave
da ave que voa
a alma da ave
da ave que voa
é a alma do homem
do homem que voa

Comentários

Lina Maria disse…
Fernando Pessoa é um dos poetas que mais admiro da Literatura Portuguesa.
Um criador capaz de se reinventar em diversos heterônimos, cada um com personalidades distintas.
Estudiosos apontam para o fato de o poeta apresentar fortes indícios de patologia mental.
Seria a necessidade que Pessoa sentia de criar outras personalidades um sinal de que o autor não teria a questão da identidade clara em sua psiquê?
Em caso afirmativo, se a própria identidade era motivo de fuga da realidade, não o seria igualmente assim a negação do próprio passado?
Enfim, Fernando Pessoa e sua brilhante obra que, até os nossos dias, ousa provocar questionamentos acerca da vida e de seus valores.
Compartilho de sua ideia, afinal, o que seria de nós sem as páginas que escrevemos da nossa história?
Lina Maria disse…
Carlos, curiosa como sou ao extremo, fui descobrir o significado da fita vermelha no dedo indicador. rsrsrsrsr
Andas fazendo mandingas para trazer o seu amor, poeta? rsrsrs
Será que dá certo? rsrsrrsrs
Bem , de acordo com as instruções do site abaixo, o relacionamento começa mesmo após o ritual com a fita vermelha no dedo indicador.
O título da "mandinga" é: "Magia para trazer seu grande amor."
http://www.magiazen.com.br/magia-para-trazer-seu-grande-amor.html
Carlos e suas surpresas... rsrsrsr
Um beijo
Carlos Kurare disse…
Também admiro muito a obra do Pessoa.
Sem tais páginas não seriamos...
Um abraço!
Vanessa Freire disse…
Vendo o comentário de Lina Maria andei lembrando de um texto que há muito tempo escrví, qual seja: "...Todos nó temos surpertições em que acreditamos. Se não é acreditar em trevas, pé-de-coelho, é evitar colocar o sapato esquerdo primeiro, pois a ultima coisa que queremos fazer é ofender os Deuses. Noa apoiamos nelas porque somos espertos o bastante para saber que não temos todas as respostas, e que a vida funciona por maneiras misteriosas e por isso, não menosprezemos o talismã, não importe de onde venha..."
Então Lina MAria, acho que vou amarrar a fitinha vermelha seguindo tua dica... rsrsrs!
Lina Maria disse…
rrsrsrsr

Bem Vanessa, a dica não foi minha; minha apenas foi a interpretação da foto
postada pelo Carlos. rsrsrsrsr
Mas, pelo sim, pelo não, quem sabe...
Abraços!

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