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Alzheimer: a doença que dói... no outro!
Carlos kurare


Doente de Alzheimer... lembre-se de não o esquecer! 

O doente de Alzheimer carrega um estigma consigo: é portador de um corpo que não lhe pertence! É visto pelos outros como o oitavo passageiro em um mundo alienígena. É um Alien que habita outro corpo. 

Ele não é mais o mesmo que fora, ele não se lembra de quem o rodeia, não associa os presentes com o presente!

É um estranho no ninho que lhe é estranho, apesar de estranhamente ser seu próprio ninho!

Sua mente vagueia por outros mundos, por outras memórias que são anacrônicas para seu tempo presente. Os que o rodeiam sofrem as dores que ele, em determinado momento, não sente mais. 

É doloroso o convívio dos Seus, com seus esquecimentos.

A família, os amigos, principalmente os filhos sofrem muito pois a doença faz com que o doente não reconheça sua prole. Sua memória recente se deteriora rapidamente, como a neblina esparsa sobre a campina salpicada de flores do campo de uma manhã no campo, quando o sol brota com toda intensidade para dissipá-la com a voracidade do passar do tempo. 

Para estranhos ou insensíveis é irritante estar perto de alguém assim, pois o doente passa uma ideia de indiferença ao outro, ao dar a ideia que não presta atenção ao que lhe foi dito.

Uma vez ouvi dezenas de vezes a mesma pergunta: quem é o senhor?  Apesar da educada e atenciosa senhora a fazer com um sorriso receptivo, confesso que lá pela décima primeira vez eu já respondia de forma minimalista, já não lhe dizia meus detalhes, já não falava de minha amizade com sua filha, já não lhe falava com o encanto de nossas primeiras palavras..., mas apesar de não ser mais detalhista, como insuportavelmente eu frequentemente sou, encurtava minha resposta ao máximo e respondia com um largo sorriso que merecia aquela simpática senhorinha!

Conviver com um Doente de Alzheimer é sobreviver com um estranho, que apesar de lhe ser caro, já não é mais um caro amigo! 

A coisa fica muito pior com o tempo, pois o doente caminha pela estrada deprimente da demência.

Carlos Kurare

São Paulo, 05 de junho de 2015 – 13:40h




Doença de Alzheimer

"Enquanto na linguagem popular a palavra demência tem a conotação de loucura, em medicina é usada com o significado de declínio adquirido, persistente, em múltiplos domínios das funções cognitivas e não cognitivas. 

O declínio das funções cognitivas é caracterizado pela dificuldade progressiva em reter memórias recentes, adquirir novos conhecimentos, fazer cálculos numéricos e julgamentos de valor, manter-se alerta, expressar-se na linguagem adequada, manter a motivação e outras capacidades superiores.

Perder funções não cognitivas significa apresentar distúrbios de comportamento que vão da apatia ao isolamento e à agressividade.



Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade. A causa da doença é desconhecida." Drauzio Varella



Saiba mais sobre a Doença de Alzheimer no site do Dr. Drauzio Varella em: http://drauziovarella.com.br/envelhecimento/doenca-de-alzheimer/



Encontrei no site Deficiente Ciente a sugestão de dez filmes sobre a doença de Alzheimer para você assistir, basta clicar no link para ser direcionado ao site:

http://www.deficienteciente.com.br/2015/01/10-filmes-sobre-alzheimer-para-voce-assistir.html


Quanto antes souber, mais tempo você terá para lembrar

Associação Brasileira de Alzheimer 

Comentários

Lilian Perencin disse…
Lindo texto, Carlos Kurare! Um resumo (e, ao mesmo tempo, não...) emocional do que é o mal de Alzheimer e do que o familiar de um portador vivencia... Meu falecido pai foi portador.

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