quarta-feira, 26 de maio de 2010

Mulheres são ótimas juizas...


Mulheres são ótimas juizas...

Agora à noite, uma grande amiga me enviou um link do youtube
- Um amigo sempre me diz que homem que tem amiga é veado, e eu me pergunto: Homem que tem amigo, que tem amiga é o que?
Com uma música que me identifico muito: My Way. Interpretada pela Voz...
Frank Sinatra, aliás, comprei esse CD uns trocentos anos atrás.
Não...não é vinil não é CD mesmo.Velho é a PQP!
Engraçado os amigos (homens) nunca me enviam nada, dizem que isso é "baitolagem".
Por esse motivo, não mando nada para os amigos, nem cartão de natal!
E é também por isso que comecei a ver as vantagens de ter amigas mulheres.

Um dia eu conto sobre essas vantagens.
Tá! ...Tá! Contarei uma só hein?!
Mulheres são ótimas juizas... de caráter, não permitem o crime de alforria de flatulências.
Elas jamais concedem um hábeas corpus para um pum.
Com elas não tem essa frescura de indulto ao preso!
Com mulher é assim: Tá preso. Vai ficar preso!
Só sai quando cumprir a pena integralmente.
Aliás, só recentemente é que fiquei sabendo que mulheres têm gases,
e infelizmente para mim, o elevador era pequeno.
Muito pequeno. Eu diria que se fosse uma obra de arte seria minimalista.
Ah! Um detalhe. Mulheres ficam bonitas coradas!

Voltando ao assunto, hoje uma pessoa lembrou-me de um poema do Pessoa.
Poema esse que eu não lia há anos. Veio à minha mente agora um poema do Augusto dos Anjos.
Tá! Sei que não tem nada a ver, mais veio pô!
Eita! Agora associei com um poema do Poe. Bem...
Vejam o resultado abaixo.
Ah! Sei que já postei o My Way, mas essa é uma das vantagens de ser o dono do Blog,
poder repetir os temas quantas vezes quiser. Afinal, eu me repito na vida também...
Gostaria de ter esse benefício da repetição em outras coisas na vida... No sexo, por exemplo!

:O)

Sampa - 20/5/2010 01:40
Carlos Kurare




Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.











Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!








O corvo

Edgar Allan Poe

Tradução: Oscar Mendes (Gosto muito desta tradução - C.K.)

Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite erma e sombria,
a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,
e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,
tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar.
“É alguém” — fiquei a murmurar — “que bate à porta, devagar;
sim, é só isso e nada mais.”
Ah! claramente eu o relembro! Era o gélido dezembro
e o fogo, agônico, animava o chão de sombras fantasmais.
Ansiando ver a noite finda, em vão, a ler, buscava ainda
Algum remédio à amarga, infinda, atroz saudade de Lenora
— essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora
e nome aqui já não tem mais.
A seda rubra da cortina arfava em lúgubre surdina,
arrepiando-me e evocando ignotos medos sepulcrais.
De susto, em pávida arritmia, o coração veloz batia
e a sossegá-lo eu repetia: “É um visitante e pede abrigo.
Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo.
É apenas isso e nada mais.”
Ergui-me após e m, calmo enfim, sem hesitar, falei assim:
“Perdoai, senhora, ou meu senhor, se há muito aí fora me esperais;
mas é que estava adormecido e foi tão débil o batido,
que eu mal podia ter ouvido alguém chamar à minha porta,
assim de leve, em hora morta.” Escancarei então a porta:
— escuridão, e nada mais.
Sondei a noite erma e tranquila, olhei-a fundo, a perquiri-la,
sonhando sonhos que ninguém, ninguém ousou sonhar iguais.
Estarrecido de ânsia e medo, ante o negro imoto e quedo
só um nome ouvi (quase em segredo eu o dizia) e foi: “Lenora!”
E o eco, em voz evocadora, o repetiu também: “Lenora!”
Depois, silêncio e nada mais.
Com a alma em febre, eu novamente entrei no quarto e, de repente,
mais forte, o ruído recomeça e repercute nos vitrais.
“É na janela” — penso então, “— Por que agitar-me a aflição?
Conserva a calma, coração! É na janela, onde, agourento,
o vento sopra. É só do vento esse rumor surdo e agourento.
É o vento só e nada mais.
Abro a janela e eis que, em tumulto, a esvoaçar, penetra um vulto:
— é um Corvo hierático e soberbo, egresso de eras ancestrais.
Como um fidalgo passa augusto e, sem notar sequer meu susto,
adeja e pousa sobre o busto — uma escultura de Minerva,
bem sobre a porta; e se conserva ali, no busto de Minerva,
empoleirado e nada mais.
Ao ver da ave austera e escura a soleníssima figura,
desperta em mim um leve riso, a distrair-me de meus ais.
“Sem crista embora, ó Corvo antigo e singular” — então lhe digo —
“não tens pavor. Fala comigo, alma da noite, espectro torvo,
qual é teu nome, ó nobre Corvo, o nome teu no inferno torvo!”
E o Corvo disse: — “Nunca mais”.
Maravilhou-me que falasse uma ave rude dessa classe,
misteriosa esfinge negra, a retorquir-me em termos tais;
pois nunca soube de vivente algum, outrora ou no presente
que igual surpresa experimente: a de encontrar em sua porta,
uma ave (ou fera, pouco importa), empoleirada em sua porta
e que se chama: “Nunca mais”.
Diversa coisa não dizia, ali pousada, a ave sombria,
com a alma inteira a se espelhar naquelas sílabas fatais.
Murmuro, então, vendo-a serena e sem mover uma só pena,
enquanto a mágoa me envenena: “Amigos... sempre vão-se embora.
Como a esperança, ao vir a aurora, ELE também há de ir-se embora”.
e disse o Corvo: “Nunca mais”.
Vara o silêncio, com tal nexo, essa resposta que , perplexo,
julgo: “É só isso o que ele diz; duas palavras sempre iguais.
Soube-as de um dono a quem tortura uma implacável desventura
e a quem, repleto de amargura, apenas resta um ritomelo
de seu cantar; do morto anelo, um epitáfio: - o ritomelo
de “Nunca, nunca, nunca mais”.
Como ainda o Corvo me mudasse em um sorriso a triste face,
girei então numa poltrona, em frente ao busto, à ave, aos umbrais
e, mergulhando no coxim, pus-me a inquirir (pois para mim,
visava a algum secreto fim) que pretendia o antigo Corvo,
com que intenções, horrendo, torvo, esse ominoso antigo corvo
grasnava sempre: “Nunca mais”.
Sentindo da ave, incandescente, o olhar queimar-me fixamente,
eu me abismava, absorto e mudo, em deduções conjeturais.
Cismava, a fronte reclinada, a descansar, sobre a almofada
dessa poltrona aveludada em que a luz cai suavemente,
dessa poltrona em que ELA, ausente, à luz que cia suavemente,
já não repousa, ah! nunca mais...
O ar pareceu-me então mais denso e perfumado, qual se incenso
ali descessem a esparzir turibulários celestiais.
“Mísero!” — exclamo — “Enfim teu Deus te dá, mandando os anjos seus
esquecimento, lá dos céus, para as saudades de Lenora.
Sorve o nepentes. Sorve-o, agora! Esquece, olvida essa Lenora!
E o Corvo disse: “Nunca mais”.
“Profeta!” — brado — “Ó ser do mal! Profeta sempre, ave infernal
que o Tentador lançou do abismo, ou que arrojaram temporais,
de algum naufrágio, a esta maldita e estéril terra, a esta precita
mansão de horror, que o horror habita, — imploro, dize-mo, em verdade:
EXISTE um bálsamo em Galaad? Imploro! dize-mo, em verdade!”
E o Corvo disse: “Nunca mais”.
“Profeta!” — exclamo — “Ó ser do mal! Profeta sempre, ave infernal!
Pelo alto céu, por esse Deus que adoram todos os mortais.
fala se esta alma sob o guante atroz da dor, no Éden distante,
verá a deusa fulgurante a quem nos céus chamam Lenora,
_ essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora!”
E o Corvo disse: “Nunca mais!”
“Seja isso a nossa despedida!” — ergo-me e grito, alma incendiada —
“volta de novo à tempestade, aos negros antros infernais!
Nem leve pluma de ti reste aqui, que tal mentira ateste!
Deixa-me só neste ermo agreste! Alça teu vôo dessa porta!
Retira a garra que me corta o peito e vai-te dessa porta!”
E o Corvo disse: “Nunca mais!”
E lá ficou! Hirto, sombrio, ainda hoje o vejo, horas a fio,
sobre o alvo busto de Minerva, inerte, sempre em meus umbrais.
No seu olhar medonho e enorme o anjo do mal, em sonhos dorme,
e a luz da lâmpada, disforme, atira ao chão a sua sombra.
Nela, que ondulara sobre a alfombra, está minha alma; e, presa à sombra,
não há de erguer-se, ai! nunca mais!















O Corvo - Versão os Simpsons




O Corvo interpreted by Christopher Walken, illustrations by Gustave Dore.





A base do preconceito é a ignorância, somos preconceituosos com o que desconhecemos, com o que nos assusta, com o que nos tira o sono.
Carlos Kurare



Por falar em Baitolagem e corvo, lembrei-me do Falcão. Vejamos aves e penas lembram: Clovis Bornay!
Eu me lembro que o Clóvis ganhava, praticamente, todos os concursos de fantasia de carnaval.


Homem é homem - Falcão




Homem Que É Homem - Luis Fernando Verissimo







E...por falar em gato...

Falcão - Atirei o Pau no Gato (Amolda o bicho na parede parte 2)





Alerta Médico!!!

Consulte um oftalmologista.

2 comentários:

ANÔNIMA FASCINADA disse...

Minha recaída... Depois de lutar angustiadamente para manter minha abstinência de comentários por 24h, hoje não resisti. Puxa Kurare, mais uma vez fui enganada... Abri o alerta médico, apostando que iria me atualizar com alguma novidade médica, e pensando morta de iludida:finalmente ele se lembrou de mim... Ao começar a ler, percebi que estava com dificuldade de focalizar as letras, quase tenho um troço!Só vou perdoá-lo hoje porque quem escreve algo como ”Doce é morrer... no amar você”,tem um salvo conduto eterno.O verso me arrastou para um turbilhão de sensações maravilhosas e inconfessáveis,que permanecerão por um bom tempo mexendo com meu coração.Parabéns!

Carlos Kurare disse...

Anônima fascinada: Eu a conheço? Se não a conheço me diga: O que foi que eu não disse para não conhecê-la?
:0)
Morri de rir com seu comentário! Sim aqui jaz meu espírito, pois eu estou lá de frente do PC mortinho!

Muito além de um jardim!

Flor cuidada por mim Flor Amorosa Num belo dia desejei só para mim Mulher amorosa e decente E como jardineiro diligente Semeei a...